Uma multidão foi ao cemitério do Centro de Queimados na tarde desta quinta-feira, 07/02/2019, para levar o adeus ao comerciante Marcelo Augusto Carneiro, o Marcelo da ‘Casa Verde’, assassinado na noite da última terça-feira, durante um assalto, com um tiro no coração, quando chegava em casa.

Quando o caixão deixou a capela em direção ao cemitério foram muitos os aplausos e as lágrimas. Ninguém conseguia conter a dor e a indignação diante da perda de pessoa tão doce e pacífica, vítima de ação tão brutal e covarde. Foi uma comoção coletiva.

Nascido e criado em Queimados, trabalhando desde jovem no comércio com os pais, Marcelo Augusto era, seguramente, uma das pessoas mais conhecidas e queridas da cidade, por seu temperamento afável e sua relação cordial e carinhosa com todos.

Estavam ali, no adeus a Marcelo, além dos parentes inconsoláveis e destroçados pela dor, dezenas de amigos e amigas de infância e de juventude, centenas de amigos e de clientes, todos inconformados com a violência que tirou a vida de Marcelo. Tinha gente de todas as idades e de todos os cantos da cidade. Queimados estava ali representada na sua pluralidade política, religiosa, econômica…

Era comum ouvir a toda hora o depoimento de pessoas que diziam considerar Marcelo como um membro da própria família. “Ele era como um filho para os mais velhos e como um irmão para os da geração dele”, sentenciou uma professora visivelmente abatida pela perda.

Após o sepultamento, cerca de 300 pessoas, quase todas vestidas de preto, saíram em caminhada de protesto pela cidade, com camisetas com a foto de Marcelo, cartazes e faixas, clamando por Paz e por Justiça, pedindo um basta à violência.

Os manifestantes foram até a porta do quartel do 24º BPM, mas encontraram os portões fechados e ninguém os recebeu. Dali caminharam até à porta da 55ª DP, mas foram informados de que a investigação da morte de Marcelo está por conta da DHBF – Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense. Também lá ninguém os recebeu.

Uma oradora que reclamou da ausência de autoridades locais na manifestação (“Eles deveriam estar aqui, os deputados de Queimados e os vereadores”), foi ovacionada pela galera.

O entendimento dos manifestantes é de que os protestos não podem parar. “… Nós não merecemos passar por isso; ver nossos entes queridos morrer…A nossa cidade tem jeito. Nós não vamos abrir mão da nossa cidade. Nós podemos mudar…”, bradava uma oradora indignada.

A manifestação foi marcada pela palavra de ordem “Queimados pede Paz”.


Ao final, foi feita uma oração e convocado um novo protesto para o próximo sábado, 09/02, a partir das 08 horas da manhã, na Praça dos Eucaliptos.

Veja trechos editados da manifestação de protesto na porta da 55ª DP.

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