A partir de hoje, o PORTAL Q abre espaço para os poetas de todo o Brasil, das novas e antigas gerações, com a coluna POEMAS DA QUINTA, publicada todas as quintas-feiras, sob coordenação do Professor e ativista cultural Roberto Azevedo.

A edição de estréia de ‘Poemas da Quinta‘ traz uma pequena mostra da obra do maranhense, radicado no Rio de Janeiro há mais de 30 anos, Manoel  Herculano.

Poeta, cantador, ator e dramaturgo, Manoel Herculano lançou seu primeiro livro em 2017: Ô DE CASA – RIO MARANHÃO, poemas de amor e humor. “Se a vida é uma Escola”, brinca Herculano, “então vai ter que ter recreio”.

Para o ano de 2019, Herculano planeja lançar o seu segundo livro que já tem
nome: TODOS SÃO POETAS NA PRAÇA.

Os poemas abaixo foram extraídos de ‘Ô DE CASA’. O segundo deles é uma homenagem ao genial escritor e dramaturgo Ariano Suassuna.

Poema 01: Pausas

Pausa!
Por favor, eu preciso de uma pausa
Não importa o verdadeiro motivo nem a causa
eu só preciso, urgentemente
de uma pausa
Pode ser teórica, prática
ou uma pausa dramática
Rápida, pragmática
exata como a matemática
Pausa para puxar a rédea
do drama, da tragédia
para uma piada ou para nada
a pausa da comédia
Pausa de uma eternidade
de um eterno minuto
para matar a saudade
homenagear, ou por luto
Pausa de uma hora
para dar um tempo ou ir embora
Pausa para respirar, resmungar, para não pirar
para um momento de fé
para um café, um cafuné
uma longa pausa para gente chata largar do meu pé
Paus para ir lá fora, agora
ver como está o tempo
para dar tempo ao tempo
para esquecer do tempo
Pausa para um gesto
para todos, para todo o resto
Para libertar um grito,
para fugir do agito, fazer o rito

desfazer o mito
para o livre arbítrio
Pausa para um carinho
para ficar na solidão sozinho
para uma troca de olhar
uma inspiração, um sorriso
Preciso de pausas, sem explicação
para o que for preciso

Poema 02: Simples imortal

A poesia era o sustentáculo
inclusive em suas aulas espetáculo
porque a arte de viver ele sabia de cor
E numa conversa informal
descobria-se um simples imortal
que se identificava mais com o Chicó
Quando abriam-se as cortinas
estreia da vida nas festas juninas
ele contava porque não era vegetariano
Tantas histórias, tantos prêmios
nasceu sob signo de gêmeos
mas já estava escrito que seria Ariano
No início era o verso a clamar
uma mulher vestida de sol
Princípio do verbo amar
do amor pelo futebol
Em sua boca a palavra erudita era dita
como se quisesse pabular
e misturar-se com a fábula, a parábola
com o dito popular
Todas juntas
a boa preguiça, a liberdade
a justiça e a farsa
ele falava sobre tudo
com a elegância da garça
pois foi mestre
do primeiro ao último semestre
E assim, com toda a sua imortalidade
sua criatividade vital
viajou pelo mundo sem sair do seu quintal
Foi o rei da pedra do reino e da gente
Okay?
Não, ele preferia oxente
A linguagem paraibense, paraibana
A genuína língua brasileira pernambucana
E lá se foi ele para o alto
com sua luz jamais desaparecida
Foi para além dos autos
do auto da compadecida
Escreveu sua história, nossa história
E quem quiser que assunte
que assuma
Na arte fez sua parte
sua sina, Suassuna.

Coluna “Poemas da Quinta” – espaço para produção poético-literária.
Todas as quintas, no PORTAL Q.
Curadoria de Roberto Azevedo.

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