Filha da Baixada Fluminense, nascida em Nova Iguaçu e criada em Engenheiro Pedreira, Sil Azevedo, cineasta premiada internacionalmente, com formação na Academia de Cinema de Nova York, se lança agora no mundo das letras com a coletânea de poemas ‘Filho da Prostituta’, que será lançada nesta sexta-feira, 14/12, no Espaço Cultural Olho da Rua, na Rua Bambino, 6, Botafogo, Rio de Janeiro, às 18 horas.

“Filho de Prostituta” é uma coletânea de 28 poemas escritos por Sil em um pequeno caderno, dos 15 aos 42 anos de vida, que foi a maneira que a autora encontrou de registrar fatos e sentimentos, uma vez que faltava-lhe coragem de compartilhar suas angústias com outras pessoas. 

O receio de que seus escritos fossem descobertos a levou se utilizar de metáforas, escondendo-se ainda mais dentro do próprio esconderijo.

Para contextualizar cada poema a autora inseriu narrativas sobre os episódios, facilitando o entendimento do leitor e da obra como um todo.

Já adulta e cineasta premiada, reencontrou a menina por quem foi apaixonada durante toda a vida e que lhe ofereceu a chance de retornar para o mundo que havia perdido , o que marcou sua decisão de resgatar os escritos e torná-los públicos, encerrando de vez o hábito de se esconder em linhas daquele caderno.

“Vinte e oito anos depois, eu finalmente me convenci a confrontar meu medo, me libertar da fantasia, me despedir das vidas que não me pertenciam e assumir definitivamente quem eu realmente era, afinal de contas, a vida não deixou de acontecer só porque eu não queria participar dela e os anos visíveis nas marcas em meu rosto, me mostram todos os dias que se eu insistisse em continuar me escondendo, em breve, não
haveria mais tempo para que eu pudesse ser absolutamente mais ninguém”, revela Sil Azevedo.

Vale a pena conferir o trabalho dessa mulher negra, filha da Baixada, que se descobriu homossexual a partir de um amor da juventude e, frente ao preconceito e à homofobia, tão viris e caras a nossa sociedade, fez
da introspecção e do silêncio seus maiores cônjugues, como também combustível para a criação literária.

Sil Azevedo, cineasta premiadíssima, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 2015

PUBLICIDADE LOCAL

COMENTÁRIOS