Os moradores dos chamados ‘Predinhos’, da Quadra B do Conjunto Valdariosa, cansados de esperar por providências da empresa construtura Odebrecht, da financiadora Caixa Econômica e  da Prefeitura de Queimados, resolveram arregaçar as mangas e custear com recursos próprios a reconstrução do sistema de esgotamento sanitário do Condomínio.

Desde a origem, o esgoto, construído pela empresa Odebrecht, a campeã das propinas reveladas pela Lava Jato, não atende às necessidades dos moradores e entope, frequentemente, principalmente nos períodos de chuva.

Além dos tubos serem de 100 mm, considerados inadequados para a demanda de escoamento, eles estavam, em alguns trechos, amassados, sob o solo, como se antes de serem colocados tivesse um caminhão ou uma máquina pesada passado por cima deles, sendo essa uma das razões dos constantes entupimentos.

O Conjunto Valdariosa, inaugurado em 2012, viveu seu primeiro drama com os temporais de novembro e dezembro de 2013, com um alagamento gigantesco e retorno do esgoto para dentro dos apartamentos, especialmente os do primeiro andar, justo onde residem os moradores mais idosos e os portadores de necessidades especiais.

Na ocasião, os moradores fizeram várias manifestações de protestos, uma delas com o fechamento da Dutra, usando inclusive queima de galhos de árvores e de pneus e provocando engarrafamentos de mais de 20 quilômetros nos dois sentidos da Rodovia.

Em dezembro de 2013, cerca de 300 moradores do Valdariosa participaram de protesto com fechamento das duas pistas da Dutra.

O então prefeito Max Lemos, esteve no local, prometendo,entre outras coisas,  intermediar junto à Odebrechet e a Caixa Econômica para que fosse feita a revisão do sistema de esgotos.

A partir de dezembro de 2014, a situação se agravou com o incêndio que destruiu a  Estação de Tratamento de Esgoto do Conjunto Residencial do Valdariosa. Novamente o então Prefeito Max Lemos, esteve no local, acompanhado de técnicos da Prefeitura e da Caixa Econômica Federal, prometendo reconstruir a Estação de Tratamento, o que não ocorreu até hoje.

A única providência que a Prefeitura tem tomado desde então, sempre que há entupimentos mais graves da rede de esgoto é mandar um caminhão Vacol para desentupir, o que segundo os moradores é um paliativo que não resolve a questão.

Os moradores relatam ainda um outro problema decorrente, segundo eles, da retenção do esgoto nos tonéis azuis remanescentes da Estação de Tratamento destruída: o surgimento de milhares de baratas que invadem os apartamentos.

Em setembro de 2015, depois de muito insistir, os moradores conseguiram uma reunião com representantes da Caixa Econômica Federal, da Empresa Odebrecht, da Prefeitura e da Ong ‘Mais Valdariosa’. Ficou acertado que o sistema de esgoto seria revisto e a Estação de Tratamento reconstruída. Novamente nada aconteceu.

Os moradores brincam com a situação, dizendo que a única providência efetiva resultante dessa reunião foi disponibilizarem um telefone 0800 para os moradores fazerem reclamações quando necessário.

Agora, os moradores resolveram encarar o problema por conta própria e refazer o sistema de esgoto, trocando os tubos de 100 por tubos de 150. Como  a grana é curta, isso vem sendo feito gradual e lentamente, de acordo com a entrada de dinheiro em caixa, e com mão de obra parcialmente gratuita oferecida por moradores.

Apesar da situação grave e dos insistentes pedidos de ajuda,  a Prefeitura não cedeu equipamentos e tubos de esgoto para a reconstrução do sistema de esgoto. “Não aguentamos mais esperar o cumprimento das promessas das autoridades e resolvemos nos virar com recursos próprios e com ajuda dos moradores” afirmou o Síndico do Condomínio da Quadra ‘B’ do Valdariosa, Paulo César Batista, o PC.

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