No dia 12/06 a Câmara Municipal de Queimados sediou um dos mais acalorados acontecimentos dos últimos anos. E apesar de ser comemorado o Dia dos Namorados, evento não foi nada bonito.

A Sessão Ordinária começou por volta das 18:30 e a Solene foi logo em seguida, homenageando Alana Passos, que recebeu o título de Primeira Mulher Militar Paraquedista e o Deputado Estadual Flávio Bolsonaro, que recebeu o título honorífico de Cidadão Queimadense pelos “relevantes serviços prestados ao município de Queimados” de acordo com o decreto legislativo 419/2018 (de 29 de maio de 2018) publicado no Diário Oficial de Queimados do dia 4 de junho, no site Portal da Transparência, pelo Vereador Elerson Leandro Alves.

A cerimônia foi curta e objetiva, e os homenageados tiveram seu tempo para falar e agradecer pelas honrarias.

Acontece que desde às 18:00h manifestantes foram à frente da Câmara Municipal para protestar contra a entrega do título.

Os manifestantes se posicionaram em frente a Câmara com cartazes, bandeiras e instrumentos de percussão, cantando músicas que compuseram e gritando palavras de ordem como “Fascistas não passarão!”.

Quando o Deputado chegou ao local, escoltado por seguranças, a multidão de pouco mais de 100 pessoas entraram e continuaram o protesto durante toda a cerimônia. Também estavam presentes eleitores do Deputado e a única hora em que todos pareceram se unir, foi durante o Hino Nacional, sendo que as vozes se intensificaram no trecho “Verás que um filho teu não foge à luta/Nem teme, que te adora, a própria morte”, mas logo após, cada grupo seguiu sua ideologia.

Ao fim da cerimônia, fãs e eleitores de Flávio Bolsonaro o abordaram para tirar fotos e tentar conversar com ele. O Deputado saiu escoltado do local.

A equipe de Flávio Bolsonaro publicou em sua rede social sobre o caso, e debochou, os chamando de “Maritacas militantes”

O Portal Queimados ouviu algumas pessoas que estavam presentes na manifestação.

“Acho legítima essa manifestação, pois estamos falando de um Deputado que nunca esteve na cidade então não justifica um título ser dado à alguém por feitos no município. Eu posso dizer que esse ato dá um ânimo novo pra gente. A gente vê que não está semeando no deserto, a terra tá fértil e as sementes estão germinando. Eu como professor de História fico feliz em ver que essa juventude está em pé pronta pra se manisfestar em qualquer situação de opressão e subjugação.” (Nilson Henrique, Professor)

“Fazer um ato na Baixada contra um político que representa o ódio, racismo, machismo, homofobia e intolerância religiosa é um foco de resistência. A ideia é essa, mostrar resistência e mostrar que não vai ser fácil, eles vão ter que suar a camisa.” ( Felipe Câmara, Bancário)

“Diante da Constituição o brasileiro tem direito de ser o que quiser ser, isso não interfere na sua cidadania. Porém clara e publicamente esse senhor é contra a comunidade LGBT e religiões de matrizes africanas. Ele como brasileiro tem seu espaço de pensar , e nós também temos. A Constituição diz que temos direito de liberdade como qualquer outro. Ele foi intitulado como cidadão queimadense, mas não reconhecemos como queimadense pois ele não respeita o principio laico da Constituição Brasileira, nem a identidade sexual de um brasileiro.” (Genésio Arruda, Representante LGBT e do Candomblé).

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